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Editorial

Edição 18 - Ano IV - Julho/Agosto 2008 - ISSN 1809-2888
Ciberteologia comemora seu terceiro aniversário
01/07/2008

Com esta edição, Ciberteologia comemora seu terceiro aniversário. Uma jovem revista científica que rapidamente amadureceu seu propósito de oferecer a nossos leitores e leitoras um acervo qualificado de textos inéditos ou trabalhos significativos da área que, embora já publicados anteriormente no formato livro, estão esgotados e fora do alcance dos estudantes e pesquisadores da área de estudos da religião. Nosso presente de aniversário é a inauguração de uma nova seção, que oferecerá ao leitor livros digitais. Nesta edição, poderá ser apreciado o livro que reúne os originais das Mesas de Estudo e das Comunicações Científicas do 21º Congresso Anual da Soter (Belo Horizonte, de 7 a 10 de Julho de 2008), cujo tema é “Sustentabilidade da Vida e Espiritualidade”.

O primeiro trabalho da seção de Artigos é o trabalho inédito de Lurdes Fátima Polidoro e Robson Stigar, O ensino religioso em face do Projeto Político Pedagógico, que objetiva analisar a relevância de se incluir essa disciplina na grade curricular, apontando a sua identidade, o seu conteúdo e, por fim, a importância da disciplina como área de conhecimento e não apenas um momento de formação humana, pastoral ou catequética.

Em La gran crisis de las religiones y el auge de los integrismos, Marià Corbí estuda, a partir da epistemologia, contando com a antropologia, a lingüística e a sociologia, as linhas de força do novo tipo de sociedade – a sociedade de conhecimento, de inovação e mudança contínua –, e tenta calibrar as conseqüências que essas linhas já têm, ou terão no médio prazo, sobre as culturas, as maneiras de viver das pessoas e sobre a religião.

O artigo de François Euvé, Pensar a criação como jogo, propõe pensar como jogo a criação do mundo, essa relação entre Deus, o ser humano e o cosmo. E se pergunta: qual o lugar de Deus nesse “jogo”? Pressupondo uma dimensão lúdica na tradição teológica, perceptível através da presença de uma temática do jogo ou, mais genericamente, através de um certo estilo que se pode qualificar de lúdico, o autor trata aqui de mostrar a articulação possível entre essa tradição e as reflexões contemporâneas sobre o jogo.

Finalmente, em Revelação como “dar-se conta de”: razão teológica e magistério pastoral, Andrés Torres Queiruga apresenta com clareza o seguinte problema: ou a revelação consiste numa intervenção extraordinária, “categorial”, no curso da história humana, ou deveremos buscar uma explicação que preserve ao mesmo tempo a transcendência da ação divina e a autonomia da realidade criada. Para o autor, o segundo é mais difícil, mas constitua a única maneira de preservar não somente o caráter real da revelação, mas também sua credibilidade crítica e fecundidade religiosa.

A seção de Comunicação abre-se com o texto Gênese do universo e teologia da criação: cosmologia e metafísica, Jean-Michel Maldamé. Nele o autor repropõe o dogma cristão da criação discutindo a grande novidade da cosmologia moderna (o paradigma evolutivo estendido a todo o cosmo) em confronto com a cosmologia ligada à astronomia dos Antigos e à da idade clássica.

A Comunicação seguinte, O nascimento do diabo: a cisão da psique humana ocidental, de Júlia Signer, examina a idéia de como surgiu a idéia de diabo na religião cristã. Para tal, traça a trajetória desse imaginário até os dias de hoje. A abordagem do texto é de caráter psicológico, focando como as crenças adotadas levaram à ação externa executada.

 Em Sustentabilidade e cuidado: contribuições de textos bíblicos para uma espiritualidade ecológica, Haroldo Reimer parte da constatação de que está em processo a construção de uma “espiritualidade ecológica”, e que nesse processo, a leitura e a releitura de textos bíblicos pode dar contribuição significativa para resgatar tradições pré-modernas e potencializar suas mensagens em tempos de crise pós-modernos. Por isso, ele procura destacar elementos de uma “hermenêutica ecológica de textos bíblicos”.

Por fim, em A sinfonia adiada: o único Cristo, Christian Duquoc situa e discute as novas possibilidades de compreensão da afirmação tradicional da unicidade de Cristo ou da unidade em torno dele, evitando os fáceis consensos almejados por nossos contemporâneos.

Completarão a edição, ao longo das próximas semanas, a seção Teologia Aberta e Espiritualidade. E, mais uma vez, recordamos a pesquisadores e autores com escritos originais afins a nosso projeto editorial que podem nos enviar seus trabalhos (artigos, notas, resenhas), desde que atendam nossas normas de publicação (enviar para: ciberteologia@paulinas.com.br). Aproveitamos para agradecer aos articulistas desta edição por sua importante participação em nosso projeto.

Aí está, portanto, a décima oitava edição de Ciberteologia. Aproveitem-na.

Uma boa leitura e bom início de semestre a todos!