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Editorial

Edição 52 - Ano XI - Outubro/Dezembro 2015 - ISSN 1809-2888
Edição comemorativa Ciberteologia
01/12/2015

A Edição 52 de Ciberteologia continua em clima de comemorações pela passagem do 10º aniversário de nosso periódico científico de Teologia e Cultura. Inovadora à época de seu lançamento, a Revista chega a 2015 com algumas marcas realmente invejáveis se comparadas a seus similares nacionais. Foram registradas em suas 51 edições anteriores mais de 2 milhões de acesso, com uma média de 40 mil acessos por edição. O número é bem maior se formos computar os acessos a cada página e ponto de origem desses acessos, oriundos de todos os continentes, mas principalmente da Europa e da América do Norte. Além disso, sempre é bom repetir como informação a eventuais articulistas e demais acadêmicos, ela já está, há 3 anos, indexada na ATLAS e no LATINDEX, 2 dos principais indexadores dessa área de saber.

Como já dissemos nos números anteriores deste ano de 2015, comemorar é, para uma revista, basicamente publicar. Sendo assim eis, mais uma vez, nossos Artigos, Notas e Resenha desta edição.

O primeiro trabalho da seção de Artigos é Interfaces da morte no imaginário da cultura popular mexicana, de Rafael Lopez Villasenor. O texto é um ensaio das festas do dia dos mortos com suas diversas faces da morte no México. A morte é vivida com muita alegria, muitas flores, comida, e caveiras sorridentes de açúcar; a morte é ridicularizada e celebrada com músicas, bebidas alcoólicas e rezas. Parte-se do princípio de que o culto festivo da morte tem sua origem na cultura indígena pré-hispânica. A festa marca o calendário festivo do imaginário da cultura popular, celebrada de maneira especial e única. Mistura muito bem o sagrado e o profano, o medo e a ironia, através do sincretismo religioso do culto à morte.

Logo a seguir, Alonso S. Gonçalves escreve sobre a A angústia em Heidegger e a esperança em Moltmann: um diálogo especulativo. O texto se propõe a dialogar com a ideia de angústia (Angst), presente no pensamento filosófico de Martin Heidegger. E dentro dessa abertura heideggeriana, abre um diálogo com a teologia de Jürgen Moltmann, mais especificamente, com sua concepção de esperança (Hoffnung), por compreender que a esperança pode contribuir como uma possibilidade ontológica, a partir da filosofia de Ernst Bloch, para um diálogo especulativo Heidegger-Moltmann.

Bruno Cavalcante de Souza defende, em O Que Fareis Vós Para o Dia Da Festa de Javé? – Uma Análise da perícope de Oseias 9:1-9, que o livro de Oseias faz com que se lance olhares atentos sobre uma região pouco explorada no que tange a pesquisa bíblica: O Reino do Norte, em suas tradições, literatura, dentre outros aspectos relevantes. A perícope que será examinada nesta ocasião, nos mostra um momento difícil na historia do povo. Momento este caracterizado pelo promulgar de uma dura sentença como paga a um contexto religioso claramente banalizado e, a exemplo do que o próprio texto traz prostituído, onde as alianças estrangeiras são o principal elemento destacado. Israel haveria de ser devastado, e em fuga, a nação haveria de passar por dias extremos na luta pela sobrevivência, no entanto, Oseias tende a demonstrar ao povo que Javé não havia se esquecido deles. Como um autêntico mensageiro do amor, o profeta demonstra que a aliança haveria de ser restaurada por Javé, que mesmo na adversidade, continuaria cuidando do seu povo.

Os dois artigos seguintes discutem o tema do Ensino Religioso, sempre controvertido em terras brasileiras. Formação de professores do ensino religioso: qual a base epistemológica para garantir a formação necessária preconizada na legislação vigente? é o título do trabalho de Eliane Maura Littig Milhomem de Freitas. A autora reflete sobre a lacuna percebida no art. 33 da LDB nº 9.394/96, com a roupagem da Lei nº 9.475/97: estabelece o Ensino Religioso Escolar, de matrícula facultativa, como parte integrante da formação básica do cidadão mas afirma que caberá aos Sistemas de Ensino regulamentar os procedimentos para a definição dos conteúdos e diz que estes  terão de ouvir a entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas.

Já o trabalho Antropologia religiosa no ensino religioso: história e análises, de Jerry Adriano Villanova Chacon, aborda o Ensino Religioso numa perspectiva histórica e antropológica, procurando elucidar o desenvolvimento do ensino religioso no Brasil, primeiro como prática de imposição cultural, e agora mais sujeito à uma nova legislação e às recomendações dos Parâmetros curriculares.

A seção de Notas é aberta pelo trabalho de Timóteo Monteiro Borba, Os (re)batizadores: Primórdios dos batistas e das denominações. Em seguida, está o trabalho exegético de Paulo Sérgio de Proença, com Pistas para a leitura e interpretação da Bíblia a partir de Atos 8.26-40 (Filipe e o eunuco). Rivanildo Segundo Guedes oferece-nos um arrazoado preliminar sobre A Sabedoria Judaico-Cristã como forma de conhecimento. Em seguida, Raimundo José Pereira Sobreiro pesquisa A contribuição da maçonaria para a consolidação do protestantismo no Brasil. Fechando a seção, Ellen Caroline Rodrigues Barretos discute A Igreja como intermediadora entre a aldeia e a cidade.

A seção de Resenhas traz as apreciações críticas de Ângelo Vieira da Silva sobre o livro de Hermisten Maia Pereira Costa, Eu creio no Pai, no Filho e no Espírito Santo (São Paulo: Parakletos, 2002).

Isto posto, um Feliz Natal a toda a nossa comunidade leitora e um 2016 recheado de ótimas leituras e profundas reflexões.

Dr. Afonso M. Ligorio Soares (Editor)


  • Artigos
    01/12/2015

    O texto é um ensaio das festa do dia dos mortos com suas diversas faces da morte no México. A morte é vivida com muita alegria, muitas flores, comida, e caveiras sorridentes de açúcar; a morte é ridicularizada e celebrada com músicas, bebidas alcoólicas e rezas. Partimos do princípio que o culto festivo da morte tem sua origem na cultura indígena pré-hispânica.

    01/12/2015

    O texto se propõe a dialogar com a ideia de angústia (Angst), presente no pensamento filosófico de Martin Heidegger. Para este filósofo existencialista, a angústia é uma manifestação do Dasein, ou seja, a existência humana se reconhece contingente como ser-no-mundo tendo na angústia o elemento que coloca o ser em movimento nas condições da existência, dando a ela (a angústia) uma dimensão ontológica.

    01/12/2015

    O livro de Oseias faz com que lancemos olhares atentos sobre uma região pouco explorada no que tange a pesquisa bíblica: O Reino do Norte, em suas tradições, literatura, dentre outros aspectos relevantes. A perícope que será examinada nesta ocasião, nos mostra um momento difícil na historia do povo.

    01/12/2015

    A Constituição Brasileira preconiza um Estado laico, garantindo a liberdade religiosa. O art. 33 da LDB nº 9.394/96, com a roupagem da Lei nº 9.475/97 estabelece que o Ensino Religioso Escolar, de matrícula facultativa, deve ser parte integrante da formação básica do cidadão, constituindo disciplina dos horários normais das escolas públicas de educação básica, assegurando o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil, vedados quaisquer formas de proselitismo.

    01/12/2015

    Este artigo aborda o Ensino Religioso numa perspectiva histórica e antropológica. É analisada a história do ensino religioso no Brasil e em seguida a teoria antropológica da religião destacando, sobretudo, a relação da religião com a construção cultural e os aspectos simbólicos presentes nas religiões.

  • Resenha
    01/12/2015

    Resenha da obras: COSTA, Hermisten Maia Pereira. "Eu Creio no Pai, no Filho e no Espírito Santo". São Paulo: Parakletos, 2002. 479 pp.

  • Notas
    01/12/2015

    O artigo apresenta narrativas sobre os primórdios e história do movimento religioso conhecido como batistas. Destaca diversas linhas de pensamentos e teorias de onde e quando pode ter iniciado tal trajetória religiosa. Busca entender e diferenciar a história dos batistas como primórdios históricos e história denominacional em que grupos não mais denominados, porém, autodenominados começam a se reunir em prol de ideais próprios e institucionais.

    01/12/2015

    Atos 8.26-40 é um trecho narrativo que foca a evangelização de um africano, um eunuco etíope que apresentou dificuldades em interpretar o Antigo Testamento, um texto do profeta Isaías. Ele estava em viagem de regresso a sua pátria, o que dá ao conjunto um dinamismo peculiar. Transportado pelo Espírito, Filipe o auxilia na interpretação do trecho, subindo no carro, como companheiro de viagem.

    01/12/2015

    Aqui se propõe a pensar a possibilidade da Sabedoria Judaico-Cristã como um meio legítimo de acesso à realidade. Desde o advento do chamado Iluminismo, a sociedade e, em especial, a academia, desenvolveram uma antipatia com respeito à religião. Esta passou a ser relegada aos aspectos pessoais e privados dos homens e mulheres da sociedade.

    01/12/2015

    Esta pesquisa analisa a relação entre o Protestantismo e a Maçonaria no período imperial no Brasil, pois apesar das diferenças religiosas e doutrinárias, além de outros fatores que poderiam causar divergências entre ambos, o Protestantismo e a Maçonaria combateram principalmente o poder da Igreja Católica.

    01/12/2015

    A dualidade entre a aldeia e a cidade, suscita à Igreja intermediações para a inclusão dos indígenas no espaço urbano. Os indígenas têm migrado para as cidades e se concentrado nas periferias, no entanto, são acometidos por diversos tipos de exclusões sociais. Apesar de adotarem progressivamente os sinais culturais dos brancos, continuam com as características de povo indígena.