EDITORIAL

A Edição 52 de Ciberteologia continua em clima de comemorações pela passagem do 10º aniversário de nosso periódico científico de Teologia e Cultura. Inovadora à época de seu lançamento, a Revista chega a 2015 com algumas marcas realmente invejáveis se comparadas a seus similares nacionais. Foram registradas em suas 51 edições anteriores mais de 2 milhões de acesso, com uma média de 40 mil acessos por edição. O número é bem maior se formos computar os acessos a cada página e ponto de origem desses acessos, oriundos de todos os continentes, mas principalmente da Europa e da América do Norte. Além disso, sempre é bom repetir como informação a eventuais articulistas e demais acadêmicos, ela já está, há 3 anos, indexada na ATLAS e no LATINDEX, 2 dos principais indexadores dessa área de saber. Como já dissemos nos números anteriores deste ano de 2015, comemorar é, para uma revista, basicamente publicar. Sendo assim eis, mais uma vez, nossos Artigos, Notas e Resenha desta edição.


O primeiro trabalho da seção de Artigos é Interfaces da morte no imaginário da cultura popular mexicana, de Rafael Lopez Villasenor. O texto é um ensaio das festas do dia dos mortos com suas diversas faces da morte no México. A morte é vivida com muita alegria, muitas flores, comida, e caveiras sorridentes de açúcar; a morte é ridicularizada e celebrada com músicas, bebidas alcoólicas e rezas. Parte-se do princípio de que o culto festivo da morte tem sua origem na cultura indígena pré-hispânica. A festa marca o calendário festivo do imaginário da cultura popular, celebrada de maneira especial e única. Mistura muito bem o sagrado e o profano, o medo e a ironia, através do sincretismo religioso do culto à morte.


Logo a seguir, Alonso S. Gonçalves escreve sobre a A angústia em Heidegger e a esperança em Moltmann: um diálogo especulativo. O texto se propõe a dialogar com a ideia de angústia (Angst), presente no pensamento filosófico de Martin Heidegger. E dentro dessa abertura heideggeriana, abre um diálogo com a teologia de Jürgen Moltmann, mais especificamente, com sua concepção de esperança (Hoffnung), por compreender que a esperança pode contribuir como uma possibilidade ontológica, a partir da filosofia de Ernst Bloch, para um diálogo especulativo Heidegger-Moltmann. Bruno Cavalcante de Souza defende, em O Que Fareis Vós Para o Dia Da Festa de Javé? - Uma Análise da perícope de Oseias 9:1-9, que o livro de Oseias faz com que se lance olhares atentos sobre uma região pouco explorada no que tange a pesquisa bíblica: O Reino do Norte, em suas tradições, literatura, dentre outros aspectos relevantes. A perícope que será examinada nesta ocasião, nos mostra um momento difícil na historia do povo. Momento este caracterizado pelo promulgar de uma dura sentença como paga a um contexto religioso claramente banalizado e, a exemplo do que o próprio texto traz prostituído, onde as alianças estrangeiras são o principal elemento destacado. Israel haveria de ser devastado, e em fuga, a nação haveria de passar por dias extremos na luta pela sobrevivência, no entanto, Oseias tende a demonstrar ao povo que Javé não havia se esquecido deles. Como um autêntico mensageiro do amor, o profeta demonstra que a aliança haveria de ser restaurada por Javé, que mesmo na adversidade, continuaria cuidando do seu povo.


Os dois artigos seguintes discutem o tema do Ensino Religioso, sempre controvertido em terras brasileiras. Formação de professores do ensino religioso: qual a base epistemológica para
garantir a formaçâo necessária preconizada na legislação vigente?
é o título do trabalho de Eliane Maura Littig Milhomem de Freitas. A autora reflete sobre a lacuna percebida no art. 33 da LDB nº 9.394/96, com a roupagem da Lei nº 9.475/97: estabelece o Ensino Religioso Escolar, de matrícula facultativa, como parte integrante da formação básica do cidadão mas afirma que caberá aos Sistemas de Ensino regulamentar os procedimentos para a definição dos conteúdos e diz que estes terão de ouvir a entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas. Já o trabalho Antropologia religiosa no ensino religioso: história e análises, de Jerry Adriano Villanova Chacon, aborda o Ensino Religioso numa perspectiva histórica e antropológica, procurando elucidar o desenvolvimento do ensino religioso no Brasil, primeiro como prática de imposição cultural, e agora mais sujeito à uma nova legislação e às recomendações dos Parâmetros curriculares.


A seção de Notas é aberta pelo trabalho de Timóteo Monteiro Borba, Os (re)batizadores: Primórdios dos batistas e das denominações. Em seguida, está o trabalho exegético de Paulo Sérgio de Proença, com Pistas para a leitura e interpretação da Bíblia a partir de Atos 8.26-40 (Filipe e o eunuco). Rivanildo Segundo Guedes oferece-nos um arrazoado preliminar sobre A Sabedoria Judaico-Cristã como forma de conhecimento. Em seguida, Raimundo José Pereira Sobreiro pesquisa A contribuição da maçonaria para a consolidação do protestantismo no Brasil. Fechando a seção, Ellen Caroline Rodrigues Barretos discute A Igreja como intermediadora entre a aldeia e a cidade.
A seção de Resenhas traz as apreciações críticas de Ângelo Vieira da Silva sobre o livro de Hermisten Maia Pereira Costa, Eu creio no Pai, no Filho e no Espírito Santo (São Paulo: Parakletos, 2002).


Isto posto, um Feliz Natal a toda a nossa comunidade leitora e um 2016 recheado de ótimas leituras e profundas reflexões.
Dr. Afonso M. Ligorio Soares - Editor

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