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Editorial

Edição 13 - Ano III - Setembro/Outubro 2007 - ISSN 1809-2888
Espiritualidade e Teologia
01/09/2007

É uma alegria poder oferecer-lhe mais um número de Ciberteologia, sempre fiéis no intuito de facilitar ao leitor interessado no estudo e na pesquisa um acesso mais amplo a textos relevantes que cobrem o espectro temático da ciência teológica. A seção de Artigos abre-se com o estudo inédito “O uso de parthenos em Is 7,14 no contexto septuagíntico e nos escritos de Eusébio“, de Milton L. Torres, Joabe Soares da Silva e Robson M. Pereira da Rocha, após cuidadosa análise dos três grupos interpretativos em que se divide a erudição bíblica quanto ao sentido do termo parthenos em Is 7,14, conclui ser possível afirmar que parthenos possui um sentido de virgindade estrita, e seu uso pode ser uma tradução feita de um texto hebraico mais primitivo que o Texto Massorético.

O texto de Giuseppe Barbaglio – “Jesus, criador de ficções narrativas: as parábolas” – é a segunda e última parte do 9º capítulo de Jesus, hebreu da Galiléia: pesquisa histórica, obra de próxima publicação no Brasil por Paulinas Editora. Discute os relatos de Jesus, com seus motivos temáticos, personagens das histórias e os sentimentos dos protagonistas, esclarecendo a “história” representada do Deus de Jesus. “Thomas Merton, um precursor da espiritualidade da libertação“, artigo inédito de Getúlio Antônio Bertelli, é uma introdução ao pensamento de Thomas Merton (1915-1968), um dos mais conhecidos mestres de espiritualidade do século XX. Defende que sua importância consiste no fato de ter unido mística e compaixão, seguimento de Jesus e profecia, oração e ação, tornando-se, assim, um dos precursores da teologia e da espiritualidade da libertação. Nas palavras de Lawrence Cunningham, um dos maiores peritos da obra mertoniana: “Num sentido muito real, Thomas Merton foi um teólogo da libertação avant la parole“.

Também inédita é a comunicação de Gilberto Orácio de Aguiar, “Negros malês: a religiosidade islâmica atualizada no Instituto Cultural Steve Biko“. O autor pretende realizar um paralelo entre a presença islâmica negra no Brasil através dos malês e a busca por cidadania do Instituto Cultural Steve Biko, de Salvador, como expressão da liberdade da comunidade afro-brasileira. O Instituto Cultural Steve Biko, por meio do pré-vestibular para afro-descendentes e outras atividades educacionais, procura resgatar a história cultural dos povos africanos trazidos para o Brasil.

Na seção de Notas, trazemos desta vez três reflexões inéditas. Dois textos são do psicanalista José Neivaldo de Souza. O primeiro, “Direito do cidadão de portar armas?“, é uma tomada de posição motivada pela chacina de Blacksburg (Virgínia, EUA), na qual o atirador “coreano” Cho Seung-Hui matou 32 pessoas no campus universitário. O segundo, “Anorexia: filosofia da morte social” é uma reflexão ética sobre o caso de Ana Carolina R. Macan, a modelo de 21 anos que morreu, há alguns meses, vítima de anorexia. Para o autor, podemos certamente pensá-la como morte social. Ainda nessa seção, o psicólogo Edgar Faya oferece-nos em “Cálice – pequenas notas em prol da teologia da libertação” uma contribuição para tentar superar alguns mal-entendidos sobre a teologia da libertação. Um deles é considerar que sua base seja a teoria marxista. Diz o autor que essa teoria é apenas um instrumento que pode ou não ser usado sem que seu abandono deite por terra a prática dessa teologia. Para Faya, é a compreensão da manifestação do divino na existência aquilo que sustenta uma atuação da teologia da libertação na vida concreta. Trata-se de um mistério de mão dupla, surgido no necessário e conseqüente Novo Testamento.

Completam esta 13ª edição as já conhecidas seções Espiritualidade, Nas fontes da Bíblia e Teologia aberta, além das Resenhas. E de novo renovamos o convite a pesquisadores e autores com escritos originais afins com o nosso projeto editorial: podem enviar-nos seus trabalhos (artigos, notas, resenhas), desde que atendam a nossas normas de publicação.

Aos articulistas deste número, mais uma vez queremos manifestar nosso agradecimento por sua competente colaboração.

  • Artigos
    01/10/2007

    No presente artigo, o termo parthenos, na LXX e também no Novo Testamento (NT), possui três usos básicos: virgindade estrita, virgindade subentendida e virgindade simbólica. Tanto na LXX como no NT, o termo parthenos apresenta um sentido de virgindade explícita, mesmo em um contexto simbólico, pois as idéias de inviolabilidade, pureza e castidade estão sempre presentes.

    01/10/2007

    O artigo é a segunda e última parte deste texto do autor, que discute os relatos de Jesus, com seus motivos temáticos, personagens das histórias e os sentimentos dos protagonistas, esclarecendo a “história” representada do Deus de Jesus.

    01/10/2007

    No presente artigo, o autor introduz-nos no pensamento de Thomas Merton (1915-1968), um dos mais conhecidos mestres de espiritualidade do século XX. Defende que sua importância consiste no fato de ter unido mística e compaixão, seguimento de Jesus e profecia, oração e ação, tornando-se, assim, um dos precursores da teologia e da espiritualidade da libertação. Nas palavras de Lawrence Cunningham, um dos maiores peritos da obra mertoniana: “Num sentido muito real, Thomas Merton foi um teólogo da libertação avant la parole“.

    01/10/2007

    O presente ensaio tem por objetivo refletir os aspectos (atos de ler e escrever) da religiosidade islâmica dos negros malês capazes de articular mudanças sociais. Nesta mesma direção aparece, na atualidade, o Instituto Cultural Steve Biko – ICSB, que, com os seus projetos educativos, procura atualizar tal experiência de fé, cidadania e conquista de libertação.

  • Notas
    01/10/2007

    Sabemos que não são as armas que matam, mas as pessoas, mesmo assim o momento é propício para retomar a velha discussão sobre o “direito do cidadão de portar armas”.

    01/10/2007

    Sem dúvida existem muitos mal-entendidos sobre a teologia da libertação. Um deles é considerar que sua base é a teoria marxista. Essa teoria é apenas um instrumento que pode ou não ser usado sem que seu abandono deite por terra a prática da teologia da libertação.

    01/10/2007

    Que é anorexia? Que é bulimia? Que é difere anorexia de bulimia? Como a anorexia foi tratada na história do pensamento e por que podemos pensá-la como morte social? Aqui está o motivo de nossa reflexão.