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Editorial

Edição 20 - Ano IV - Novembro/Dezembro 2008 - ISSN 1809-2888
Homenagem a Jon Sobrino e Leonardo Boff
01/11/2008

Esta 20ª edição de Ciberteologia encerra o ano de 2008 reúne especialmente para você uma seleção de textos de autores representativos da área de teologia, além de comunicações científicas inéditas de cientistas da religião. Além de textos inéditos, há trabalhos significativos que, embora já publicados anteriormente no formato livro, são de difícil acesso a estudantes e pesquisadores da área de estudos da religião. Este número terá uma seção especial em dezembro, em homenagem aos setenta anos de vida de dois grandes teólogos contemporâneos: Jon Sobrino e Leonardo Boff. A ambos, a direção e redação de Ciberteologia parabeniza e agradece pelo bem que seu testemunho e seus escritos têm feito a gerações de cristãos nas últimas décadas.

Não deixe de acessar a seção Livros Digitais. Por enquanto, encontra-se disponível para livre acesso o livro com os originais das Mesas de Estudo e das Comunicações Científicas do 21º Congresso Anual da Soter (julho 2008). Baixe em seu computador ou cd, leia e divulgue em suas faculdades e grupos de pesquisa.

Na seção Literatura, oferecemos mais algumas páginas da saborosa lavra do filósofo Jean Guitton (1901-1999), com um novo trecho de seu bem-humorado testamento “póstumo”, originalmente publicado em francês em 1997. Aqui ele é visitado pelo filósofo da aposta, Blaise Pascal, e ambos discorrem sobre Absoluto e Deus, e sobre como escolher entre o Absoluto-não-Deus e o Absoluto Deus. Imperdível!

Quanto às seções de Artigos e Comunicação, abre a primeira o texto de Juan Luis Segundo, Jesus em poder da teologia. Este artigo faz parte da obra-prima de Juan Luis Segundo, o ensaio cristológico intitulado O homem de hoje diante de Jesus de Nazaré. O leitor verá aqui um aperitivo da original construção secundiana e saberá porque ele defendia a necessidade de anti-cristologias como saudáveis antídotos à fé em Jesus.

Em seguida, o texto Mística da lutas camponesas no Brasil, de Carolina Teles Lemos, apresenta uma sistematização da concepção de mística das lutas camponesas; dos modelos, princípios e objetivos que as motivam, analisados à luz do pensamento de Marcelo Barros e de Jacques Derrida, entre outros.

Buscadores da Nova Era: um universo sem fronteiras, de Azize M. Y. Medeiros, mostra o movimento Nova Era como uma forma de religiosidade pós-moderna, em que os elementos culturais, com seus símbolos, mitos e ritos são resgatados, reconstruídos e recriados a partir de experiências subjetivas de encontro com o sagrado.

 Cosmologia e antropologia, de Adolphe Gesché, propõe-nos a tese de que o território teológico se divide em três grandes regiões: Deus, o homem e o universo (o cosmo, a natureza). E oferece-nos o estado da arte acerca de como está hoje a questão sobre cada um desses temas.

Na seção de Comunicação, trazemos quatro colaborações. Que o mundo seja recriado! Gn 1,1-2,4a e o início do bairro Fonseca: raízes macroecumênicas, de Fabio Py Murta de Almeida, tenta mostrar que a relação dos mitos da criação com o imaginário da inauguração dos templos foi esquecida pela ciência bíblica.

Refletindo sobre A construção da idéia do tempo, J. C. Avelino da Silva Propõe que o tempo é criado na tensão entre sua dimensão simbólica (que é predominante) e na sua dimensão profana (cuja referência é o vir-a-ser dos processos naturais), sendo que o tempo sagrado resulta da tensão entre a dimensão simbólica e a profana.

Em O homem se reconhece pelo fazer, Clóvis Ecco pretende desenvolver uma análise em torno da questão masculina. Os homens, para se sentirem úteis e respeitados, precisam sempre estar fazendo algo para provar alguma coisa para alguém. Por isso, o reconhecer-se pelo fazer permeia a concepção da supremacia da masculinidade de Deus, que tem como premissa o homem como imagem e semelhança de Deus e criador de todas as coisas.

Finalmente, em Reflexões sobre a construção de uma liturgia de valorização da cultura afro-descendente, Cláudia Sales de Alcântara discute, a partir de um olhar protestante, a necessidade urgente de unificar as diversidades culturais na liturgia evangélica atual, com uma reinterpretação dos conteúdos bíblicos que esteja aberta a novas e inusitadas leituras. Só assim se dará um lugar concreto para o diálogo entre cultura herdada pelos protestantes europeus e norte-americanos e a cultura afro-descendente, tão esquecida e marginalizada.

 Completarão a edição, ao longo das próximas semanas, a seção Comunicação. E, mais uma vez, recordamos a pesquisadores e autores com escritos originais afins a nosso projeto editorial que podem nos enviar seus trabalhos (artigos, comunicação, resenhas), desde que atendam nossas normas de publicação (enviar para: ciberteologia@paulinas.com.br). Aproveitamos para agradecer aos articulistas desta edição por sua importante participação em nosso projeto.

É sua, portanto, a décima nona edição de Ciberteologia. Aproveite-a.

Uma boa leitura e frutíferas pesquisas a todos!