EDITORIAL

A pandemia do Coronavírus nos permitiu ser testemunhas e, de alguma forma, protagonistas de um momento original da história da humanidade. Poderemos narrar às gerações futuras a experiência de “uma pandemia globalizada” no pleno sentido do termo e, talvez, de uma guinada na história, após o controle do vírus, a crise econômica inevitável e o futuro incerto. Em algum lugar do futuro olharemos para esse momento com maior objetividade, porém, certamente, com as marcas dos sofrimentos que por hora temos vivenciado, de algum modo e em alguma intensidade. 

A pandemia assusta como todas as epidemias de ontem e de sempre, mas termina assimilada biologicamente pelo contágio natural ou, na era das ciências, pela imunização realizada por meio das vacinas. Contudo, o drama humano do episódio permanecerá na memória com suas dores e até com seus traumas. O mundo por certo não será mais o mesmo após o primeiro semestre dos anos vinte. Por certo, dirão no futuro que, naqueles dias, a humanidade olhou para si mesma, ficou pasmada com o inédito e, em algum momento, pensou sobre os rumos da vida planetária. O mundo parou para enfrentar a contaminação do vírus e a saturação dos sistemas de saúde. As lições da fragilidade da vida humana e da provisoriedade dos sistemas estabelecidos vieram como aprendizado inevitável, mesmo para os que continuaram sustentado que o mercado não muda e que os poderes são estáveis.

O futuro nos aguarda e nos ensinará as lições desse momento especial da história.

Os significados de um fato como este que vivenciamos são muitos e, na sociedade da informação, adquirem dinâmicas próprias, seja pela pluralidade de leituras veiculadas, seja pela agilidade e pelos efeitos diretos nas bolhas sociais constituídas pelas redes de comunicação. Os conflitos de interpretação estiveram o tempo todo presente nas mídias e nas mentes. Como não pensar sobre um fato tão inesperado? E, como em tudo que é inédito, as ofertas de leituras, de verdades e de soluções, estão sempre presentes, também nas formas mais inéditas. E a vida de cada indivíduo mundialmente conectado está afetada por uma ou outra leitura sobre a pandemia. Ninguém fica isento dos efeitos sociais, políticos, religiosos e éticos das informações que circulam em grande volume e com velocidade espetacular.

As muitas leituras feitas sobre a pandemia revelam as diferentes percepções de mundo que afloram em momentos de crise, das mais sensatas às mais exóticas. Elas rompem com uma relativa regularidade hermenêutica que dispensa ou camufla as leituras mais radicais que peitam os consensos: a começar pelas que afirmam a inexistência de uma pandemia até aquelas que buscam causas e intervenções religiosas, passando pelas que enxergam na crise uma vingança da natureza ou uma natural purificação da espécie. A população mundialmente conectada pelas redes sociais esteve exposta, ao mesmo tempo, às vozes medíocres e às mentiras, às informações dos fatos em tempo real, às orientações médicas e às ofertas de significados do drama que ia rapidamente se desenhando. 

As leituras das ciências estiveram, evidentemente, no comando das interpretações. No século XIV, quando a peste negra matou quase a metade da população da Europa, a leitura predominante era a religiosa: a pandemia tinha uma causa sobrenatural e, por conseguinte, uma solução ritual. A ciência da época patinava entre o religioso e o cósmico por não dispor de instrumentos capazes de visualizar os micros organismos, de expor as causas reais e, por conseguinte, intervir com eficácia sobre os efeitos. Hoje, felizmente temos posse desses conhecimentos e, rapidamente, os colocamos em ação. O mundo está pautado nas ciências, desde os estudos detalhados do vírus, até as estratégias de controle estatístico da evolução do contágio. Embora as ciências não resolvam tudo, oferecem a ferramenta indispensável para os poderes intervirem na epidemia, na busca de medidas que minimizem ou, até mesmo, evitem seus efeitos.

Contudo, as leituras religiosas ainda persistem paralelas às ciências, quando não ocupando o lugar das mesmas. Não têm faltado leituras semelhantes àquelas do século XIV que colocam como causa do vírus Deus ou o diabo e, por conseguinte, oferecem rituais de solução: cultos, unção com óleo, novenas, correntes de oração, crucifixo na porta, água benta aspergida na rua, procissão com o Santíssimo Sacramento. Ninguém duvida do apelo popular dessas estratégicas e nem do poder das interpretações religiosas. As religiões populares de diversas matrizes lançam mão de interpretações sobrenaturais e de rituais de intervenção na natureza, sobretudo nos tempos de crise.

As leituras religiosas das mais variadas procedências e matrizes coincidem numa postura básica: a afirmação da origem sobrenatural dos fenômenos naturais e o controle desses por meio de alguma ritualidade. De maneira mais escancarada ou mais sutil, muitas igrejas reproduzem essa percepção em suas pregações e ações. Na atual pandemia, essas posturas têm sido visíveis e têm ocupado espaço nas telemídias e nas redes sociais. Algumas vezes, elas ocupam o lugar da ciência, chegando a ignorar as explicações cientificamente demonstradas, afirmando-se como a visão verdadeira e segura por falar em nome de Deus. Outras vezes, correm no paralelo: uma espécie de bolha religiosa que opera com códigos religiosos sem considerar o que dizem as ciências. Nessa pandemia não faltou quem afirmasse que na igreja o vírus não era transmitido. Os líderes e os fiéis sabem de onde vem um vírus, que tipo de “bicho” é ele, como ele é transmitido, mas repetem velhos rituais de domínio das forças da natureza, por meio das mais variadas expressões: orações, unções, bênçãos etc. Aqui as tradições vão recuperando seus recursos clássicos: os pentecostais recorrem à Bíblia e dela retiram palavras mágicas, capazes de enfrentar o vírus, os católicos recuperam a força das bênçãos, das imagens e das devoções. 

Não parece haver dúvidas para os estudiosos do assunto de que religião é sempre a força dos fracos e a construção de um ponto de apoio para a precariedade da vida. E, precisamente por isso, em tempos de crise as buscas de explicação e solução religiosas se tornam mais visíveis no espaço público e gozam de maior demanda. O outro mundo vem em socorro desse mundo caótico. Os líderes religiosos fazem a mediação como portadores de poderes sagrados. A religião torna-se solução.

Em tempos de normalidade essa postura não revela sua fragilidade, embora persista nas visões e práticas religiosas predominantes nas várias tradições cristãs. Em meio à pandemia ela é, contudo, colocada à prova. O coronavírus trouxe à tona a interrogação: os rituais podem realmente curar? Para muitas igrejas persiste a pergunta: a prosperidade vem de Deus e a doença do demônio? Só morreram os que não têm fé? Colocou também em público a segurança da frequência aos cultos. E a questão posta pelo presidente da república permaneceu no silêncio da ignorância ou do medo do sacrilégio: os cultos religiosos são serviços essenciais? 

As leituras sobre a pandemia podem ser vistas, sobretudo, pelo viés do conflito de interpretação. Como é bastante natural na era das redes sociais, a multiplicidade de informações contraditórias já faz parte da rotina dos receptores-emissores e sequer causa indignação em nome da precisão ou da verdade. Os conflitos entre leitura científica e leituras opinativas habitaram os tempos da pandemia como hermenêuticas legítimas. Muitas vezes a ciência foi desautorizada como falsa e o senso comum e as ideologias se apresentaram como leituras verdadeiras, reforçadas, evidentemente, pelos posicionamentos do presidente da república. De fato, as leituras políticas e religiosas foram feitas como uma espécie de alternativa à leitura das ciências e se mostraram bastante conaturais, seja pelos sujeitos comuns, seja pelos conteúdos ou pelas finalidades políticas. 

Os discursos procedentes de sujeitos e territórios distintos podem ser afinados ou desafinados um com o outro, assim como os instrumentos de um conjunto. Os instrumentos se afinam no tom e na peça musical comum. Os discursos sobre assuntos diferentes nem sempre são afinados. Ao contrário, podem provocar dissonâncias, uma vez que portam objetivos e linguagens distintas. Nesse tempo de pandemia temos assistidos a afinações discursivas originais, afinações curiosas, ao menos em princípio. Alguns discursos puramente religiosos têm se afinado com alguns discursos puramente políticos. Portanto, tons e peças distintos, ou, ao menos aparentemente distintos, têm tocado de modo bastante afinado seus enredos musicais. E para quem dispensa a atenção aos conteúdos discursivos, bastam as imagens veiculadas pelas mídias. Quais são esses discursos? O discurso religioso que minimiza o risco do coronavírus e o discurso político que minimiza igualmente o perigo do mesmo. O primeiro minimiza em nome do poder de Deus, já que Deus é compreendido como a causa imediata do que acontece na natureza e na história e, por conseguinte, está pronto a defender os que têm fé da ação letal do vírus. O segundo minimiza em nome de um projeto político em curso, por entender que o isolamento social conduziria a uma crise econômica inevitável e, por conseguinte, um risco político para o projeto de poder do mandatário maior do país. 

A pergunta que brota dessa constatação é sobre a afinidade da religião com a política. Essa pergunta já foi feita e respondida pelo pensador alemão Max Weber, ao observar uma relação de coincidência visível entre protestantismo calvinista e capitalismo. Weber utiliza uma categoria analítica emprestada da química, afinidade eletiva, para analisar essa hipótese em sua famosa obra o A ética protestante e o espírito do capitalismo. Uma afinidade eletiva significa a fusão de dois elementos distintos, no caso da química, e, no caso sociológico, a fusão entre duas configurações culturais distintas. Uma configuração religiosa – protestantismo – e uma configuração econômica – capitalismo – teriam tecido afinidades, ou seja, um elemento reforçado a permanência do outro. Haveria uma circularidade entre as duas configurações, de forma que a doutrina teológica do calvinismo protestante e a ética do trabalho e do lucro inerente ao capitalismo se encontraram e se reforçaram mutuamente. 

No caso em questão, qual seria a afinidade entre os dois discursos, o dos religiosos e os de Messias Bolsonaro? Alianças políticas à parte. Foquemos na afinidade eletiva dos discursos minimizadores do risco do Covid-19. Os discursos são de gramáticas distintas. Um gravita em torno de Deus e clama pela fé. O outro gravita em torno do político e convida à adesão militante. Os dois relativizam o perigo do vírus. Mas, o fato é que um reforça o outro na prática embora mantenham suas gramáticas distintas. 

Afinidades possíveis: ambos ignoram as ciências e afirmam outra causa para o isolamento social; ambos afirmam, portanto, uma causa política para o isolamento; ambos possuem uma metafísica de viés maniqueísta que separa a realidade entre o bem e o mal, que tem nomes imediatos, mas há sujeitos mundiais invisíveis que conspiram contra o governo atual, ambos definem o comunismo como mal universal que está solto e do qual não escapa nem mesmo o invisível Covid-19 (produto da China comunista), ambos afirmam que a realidade é comandada por forças exteriores a serem superadas pelo poder de Deus; ambos afirmam que o mundo está sob o comando de forças que se encarnam em sujeitos e instituições que visam prejudicar uma renovação do país. Podemos pensar uma afinidade estruturada em círculos concêntricos. O mais amplo de cunho cosmológico: o mundo é uma realidade comandada diretamente por Deus e conta com a interferência direta do Demônio. A segunda esfera é global: o mundo se encontra em crise econômica e política e necessita de um projeto de resgate da verdade, da família, dos governos, da cultura. Os inimigos desse projeto, a modernidade com todos os seus tentáculos e, sobretudo, os comunistas, devem ser eliminados da terra. A esfera seguinte é da política concreta: os governantes escolhidos por Deus são os portadores do poder legitimo de mando e de interpretação verdadeira da realidade. A última esfera: é do governo atual de Messias Bolsonaro, enviado por Deus para salvar o Brasil de todos os inimigos da verdadeira fé e da nação. 

A pandemia é vista, portanto, por ambos os discursos como um capítulo da história de luta entre o bem (Messias Bolsonaro) e o mal (comunistas). A metafísica maniqueísta encarnada no projeto do governo atual separa a verdade política de um governo que se impõe por si mesma sem qualquer necessidade de comprovação e a verdade da própria ciência que explica a dinâmica do coronavírus e traça as estratégias de controle de sua expansão. O discurso da “gripizinha” quer salvar a economia para salvar o projeto de poder. O vírus é sem poder, é mesmo uma pequena e impotente gripe, porque Deus está sempre no comando da natureza. Deus oferece o amparo metafísico último para o projeto de origem divina e oferece um apoio no controle miraculoso da letalidade do vírus. Estamos todos nas mãos de Deus e de Bolsonaro seu mandatário, bem como acima das ciências. O coronavírus não tem poder!

A diversidade de leituras da pandemia trouxe a tona o problema atual da verdade, ou mais concretamente, da pós-verdade. Em meio a um oceano de informações e das fake news, verdade e mentira se entrecruzam em um pandemônio de dados e leituras que semeiam a confusão e resultam, no fim das contas, a relatividade moral e política em grande parte da população. Onde está a verdade? 

O número de comunicadores dispostos a informar a população foi incontável. Além dessas informações, outras de cunho mais científico, estiveram longe de um consenso. Usar ou não máscaras? Tomar ou não vitamina D? Usar ou não álcool com gel? Usar ou não cloroquina? E para colocar mais ingredientes na diversidade de informações, ainda vieram as versões e interpretações dos dados e as estratégias mais adequadas. Sobre o tipo de isolamentos social: horizontal ou vertical? Sobre os números de contagiados: a inevitável imprecisão dos dados devido à ausência de testes. Sobre o achatamento da curva de contágio: o isolamento terá produzido seus efeitos? Sobre o pico da pandemia: em abril, em maio ou em junho? 

Para os que interpretam os fatos em chave de fé, ou, em chave teológica devemos falar em dois critérios de discernimento da verdade, uma vez que a mentira deve não somente ser bem distinguida da verdade, como também abominável do ponto de vista ético. O primeiro critério é precisamente o da ciência. Nessa praça pública de tagarelice e tumulto verbal, restaram, sem dúvidas, as ciências com seus agentes e organismos como fonte confiável e como fio de prumo para discernimento e condução do processo. Sem as ciências o drama teria se transformado em tragédia. As ciências explicaram e conduziram as gestões político-sanitárias pelo mundo afora, embora em nosso país tenha sido desautorizada em todo o tempo pelo mandatário maior. 

Com menor visibilidade, a leitura cristã derivada da fé em Jesus Cristo, revelação da verdade que vem de Deus, se fez presente. A fé judaico-cristã e a boa teologia exigem que desvinculemos Deus das causas imediatas dos fenômenos naturais e que busquemos o sentido das contingências inevitáveis da vida, da dor, do sofrimento e da morte no horizonte pascal da vida que vence a morte, da empatia que rompe com o isolamento e da solidariedade que supera os individualismos. Exigem também que busquemos na ciência a orientação para os enfrentamentos das doenças, evitando a tentação de transformar milagrosamente as pedras em pão. Em nome da verdade da fé e da razão, não podemos reproduzir as leituras mágicas da realidade, mesmo que utilizando dos símbolos mais sagrados da tradição cristã. A fé oferece sentido constante para as coisas que têm solução e para as coisas que não têm solução. Ela “é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se veem” (Hb 11,1) e não a posse mágica da natureza e a solução do que a ciência não soluciona. As explicações e os controles dos mecanismos da natureza são da ordem das ciências. O sentido de todo o conjunto da vida em qualquer circunstância pertence à fé. Quem pode dominar o coronavírus são as ciências. Quem nos ajuda a enfrentar a crise e avançar olhando pra frente com esperança é a fé. O coronavírus seguirá seu ciclo regular e natural. Os grupos de risco e os pobres morrerão em maior número. A ciência vai controlá-lo o quanto for possível. A fé vai alimentar nossa resistência, ajudar a superar nossos individualismos e ativar nossa misericórdia para com os que sofrem. 


Toda grande crise coloca em questão a percepção de um Deus todo poderoso e sempre pronto a intervir na natureza e na história. No entanto, o grito das vítimas que se sucumbem sem socorro nega essa visão divina. Exige que se repense a natureza de Deus, sob pena de transformá-lo em um ser insensível ou em um Pai surdo ou sádico. É nessa zona de desconforto religioso radical que entra em cena o Deus de Jó, o Deus de Jesus crucificado, o Deus das vítimas de violência. Deus sofre com as vítimas. O Deus de Jesus é o Deus crucificado na cruz; é carne na carne que sofre, fome na fome que clama, frio no corpo que congela, caminhante no refugiado que atravessa as fronteiras. A encarnação do Verbo de Deus superou as ideias abstratas do divino, as teologias do todo poderoso, os rituais de manipulação das forças divinas. A cruz ensina que o silêncio divino se torna grito precisamente no grito do sofredor e que a vida brota de dentro da morte e não como força que vem de fora, rompendo com as leis da natureza e interferindo nas escolhas humanas. O Deus cristão é amor e não poder, é misericórdia e não domínio; é amor que acontece na relação livre do Eu e do Tu e não imposição do divino sobre as autonomias do mundo e dos seres humanos; é misericórdia que convida para a empatia e a solidariedade e não solução mágica para os empecilhos da vida.


Na verdade, o coronavírus segue seu curso com ou sem religião. Ateus e crentes serão contaminados da mesma forma. A fé cristã clama por outro mundo possível: por uma casa comum capaz de abrigar a todos em condições mais iguais, antecipando a comunhão definitiva. Assim na terra como no céu. 


Ciberteologia não poderia deixar de assumir como tema de sua preocupação essa situação de pandemia. Os Artigos que compõem o dossiê cobrem algumas temáticas relacionadas à questão, sem qualquer pretensão de dar conta das complexidades envolvidas nas leituras dessa crise de múltiplas faces. Algumas reflexões olham para o passado em busca de parâmetros comparativos para entender o presente, olham para o futuro e perguntam por possibilidades de cura da grande crise no regime econômico atual. Outras buscam os significados humanos e teológicos da experiência o os parâmetros eclesiais de compreensão e ação para o momento. Nessa direção se insere a rápida abordagem sobre a última Encíclica do Papa Francisco, Fratelli tutti, que se ancora na conjuntura atual. No seu próximo dossiê, Ciber terá como foco essa Encíclica social de excepcional atualidade. As demais seções oferecem notas e documentos que completam o dossiê e ajudam a pensar a situação atual. 


Passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta. No fim, oxalá já não existam “os outros”, mas apenas um “nós”. Oxalá não seja mais um grave episódio da história, cuja lição não fomos capazes de aprender. Oxalá não nos esqueçamos dos idosos que morreram por falta de respiradores, em parte como resultado de sistemas de saúde que foram sendo desmantelados ano após ano. Oxalá não seja inútil tanto sofrimento, mas tenhamos dado um salto para uma nova forma de viver e descubramos, enfim, que precisamos e somos devedores uns dos outros, para que a humanidade renasça com todos os rostos, todas as mãos e todas as vozes, livre das fronteiras que criamos (Fratelli tutti, 35).


Na mesma esperança franciscana,
João Décio Passos
Editor

 

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