EDITORIAL

Ciberteologia abre sua edição n. 41, a primeira de 2013, desejando a seus ciberleitores os melhores votos de mais um ano proveitoso na reflexão teológica, um ano em que possamos estreitar ainda mais parcerias em vista da construção de uma sociedade cada vez mais justa e – desculpas pelo pleonasmo – humana.

Destacamos da presente edição os quatro trabalhos inéditos que compõem nossa seção de Artigos. O primeiro – Ética, economia e justiça distributiva – de Paulo Tiago Cardoso Campos, discute questões sobre a relação entre ética e economia, uma vez que ambas lidam com escolhas, e, no caso da economia, incorporam critérios com conteúdo ético. Para o autor, para além dos custos econômicos envolvidos em nossos projetos, há várias possibilidades de se compreender e levar a cabo ações e políticas para a promoção da justiça distributiva.

Em Novos rumos do Ensino Religioso para a educação básica, Carlos A. L. de Queiroz e Edile M. F. Rodrigues pretendem refletir sobre a oferta do Ensino Religioso nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Por essa razão, abordam o papel da escola e a postura do educador no trato com noções de identidade, alteridade e transcendência, pois as crianças nessa fase escolar precisam (re)conhecer a diversidade cultural religiosa em seu meio.

Cantando os salmos: a oração de Jesus, da Igreja e nossa é o tema da reflexão oferecida por Getúlio Antonio Bertelli. Partindo da constatação de que o Livro dos Salmos tem sido o mais lido de toda a Bíblia, o articulista decifra a dimensão cosmoteândrica dos salmos, qual espelho de nossa vida, e afirma que eles nos fornecem as palavras exatas para nos dirigir a Deus e enfrentar o sofrimento humano, revelando-se assim como nosso livro de cabeceira e vade-mécum.

Fecha a seção o estudo etnográfico de Kelli Carvalho Melo e Marina Silveira Lopes – Mapimaí: vivência e experiência do povo PaiterSuruí para a compreensão de sua cosmogonia. Nele as autoras nos apresentam o novo cenário em que precisam viver os remanescentes do povo indígena PaiterSuruí, denominação que significa “Gente de Verdade”. Em seu contato com a sociedade urbana, alguns rituais e valores foram abandonados, outros permaneceram, porém sincretizados. Na tentativa de entender a trama sincrética em que este povo se encontra hoje, elas realizaram, na aldeia Apoena Meireles, pertencente à Terra Indígena Sete de Setembro, uma visita e participação em um dos seus rituais, a festa do Mapimaí, a criação do mundo. A partir do que lá vivenciaram, as autoras querem promover uma discussão teórica e tentar explicar os significados de cada ato no Mapimaí para a cultura dos PaiterSuruí, assim como a identificação de sua territorialidade.

As demais seções seguem trazendo novidades, principalmente a seção de Notas, que nos brinda com alguns aperitivos de obras que deverão vir a lume em 2013/2014.

Bom apetite a todos.

Dr. Afonso M. L. Soares (Editor)

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