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Editorial

Edição 27 - Ano VI - Janeiro/Fevereiro 2010 - ISSN 1809-2888
Novo ano de otimismo e esperança
01/01/2010

Esta edição de nº 27 de nossa Ciberteologia inaugura o ano de 2010 com uma mensagem de otimismo e esperança a todos os nossos ciberleitores. Um otimismo que não foge à crítica, é verdade, pois há muito a questionar e a discutir no dia-a-dia de nossa vida pública; e uma esperança que não renuncia à charitas, empenho maior dos que vivenciam de forma autêntica sua comunicação.

O ano, no entanto, começou mais triste para o cristianismo latino-americano. Por isso gostaríamos de prestar uma homenagem especial a dois queridos teólogos latino-americanos, um chileno e um brasileiro, ambos também presbíteros na Igreja católica, além de proeminentes figuras da teologia da libertação, que faleceram nos últimos dias de 2009. São eles Ronaldo Muñoz e Antonio Aparecido da Silva (Pe. Toninho).

Ronaldo Muñoz pertencia à Congregação dos Sagrados Corações e morreu dia 15 de dezembro, em Santiago do Chile, mesma cidade que o viu nascer em 7 de março de 1933. Religioso de assumida predileção pelos mais pobres, construiu uma produção teológica que realizava uma adequada síntese entre sua formação sistemática e a experiência vital junto às comunidades populares. Ordenado presbítero em 1961, cursou sua pós-graduação na Universidade Gregoriana de Roma e no Instituto Católico de Paris, onde obteve seu doutorado. De 1965 a 1980, foi membro da equipe teológica da CLAR (Confederação Latino-Americana de Religiosos). Participou ainda de equipes de assessores de bispos nas conferências episcopais de Puebla, Santo Domingo e Aparecida. Entre seus principais livros, citamos: Nova consciência da Igreja na América Latina (Ed. Vozes, 1979); A Igreja e o povo: Para uma eclesiologia Latino-Americana (Ed. Vozes, 1985); “Deus dos cristãos” (Ed. Vozes, 1986). Pela Editora Paulinas publicou: Trindade de Deus Amor oferecido em Jesus, o Cristo (2002). Padre Muñoz lamentava-se do excessivo formalismo estrutural da Igreja mais institucional e deve ter partido entristecido com o novo inverno eclesial que ameaça cobrir a Igreja Católica.

Antônio Aparecido da Silva, o Pe. Toninho das comunidades e da pastoral afro no Brasil, faleceu no dia 17 de dezembro. O religioso, que já vinha com a saúde bastante debilitada devido a consequências de diabetes e na fila por um transplante de rins, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) enquanto visitava familiares. Nascido no dia 28 de novembro de 1948, em Lupércio, pequena cidade do interior de São Paulo; viveu boa parte de sua infância e juventude em Parapuã, outra pequena cidade do interior de São Paulo; onde foi sepultado. Foi ordenado presbítero em 1976 e pertencia à Congregação da Pequena Obra da Divina Providência[Orionitas]. Pe. Toninho foi professor de Teologia Moral no Itesp-SP e na Faculdade de Teologia da PUC-SP, onde também foi Diretor na década de 80. Foi assessor da Pastoral Afro da CNBB (um dos idealizadores das missas afro e co-fundador dessa Pastoral), Membro da Equipe Teológica da CRB-Nacional. Fundador e Presidente do Centro Atabaque de Cultura Negra e Teologia, além de sócio-fundador e ex-presidente da Soter (Sociedade de Teologia e Ciencias da Religião). Além de ter sido Superior Provincial dos Orionitas, liderou a Paróquia Santo Antonio [Granja Viana, Cotia – Diocese de Osasco] e foi por mais de 10 anos o pároco da Igreja de Nossa Senhora de Achiropita, no Bexiga (São Paulo-SP). Entre suas obras, destacamos, pela Editora Paulinas: Existe um pensar teológico negro? (1998).

Toda a equipe de Ciberteologia une-se neste momento de luto e de esperança pascal às famílias do Pe. Toninho e de Pe. Ronaldo Muñoz, às suas respectivas Congregações religiosas e às comunidades eclesias do Chile e do Brasil, além de toda a Igreja latinoamericana. Manifestamos nossa solidariedade e asseguramos nossas orações. Dai-lhes, Senhor a beatitude eterna e brilhe para eles a vossa luz.

Nesta edição, brindamos a você com uma seleção de Artigos e Comunicações adequadas a um início de ano de muita reflexão e questionamentos instigantes. Carmem Lussi abre a seção de Artigos com o texto Elementos para uma abordagem teológico-pastoral sobre tráfico de pessoas. Afonso Maria Ligorio Soares homenageia a obra de vida do Pe. Toninho, dedicando-lhe o artigo Sincretismo e teologia interconfessional. O texto Corpo: uma abordagem bíblico-teológica, é a contribuição que nos vem do biblista João Luiz Correia Júnior. Pricila Reis Franz traz, desta feita, a pesquisa O Diabo é o pai do rock, que investiga a imagética do mal na música estrangeira. E fecha a seção o texto Epistemologia e Ensino Religioso: limites e possibilidades, oferecido por Carlos Odilon da Costa e Clóvis Maciel Kruger.

A seção de Notas traz neste número o texto de Gilberto Orácio de Aguiar, que discute Corpo, negritude e cidadania: uma reflexão a partir de Marcel Mauss. Em seguida, temos a contribuição de Lurdes de Fátima Polidoro e Robson Stigar refletindo sobre o Ensino Religioso em A Transposição Didática: a passagem do saber científico para o saber escolar. E Pricila Reis Franz apresenta uma pequena reflexão sobre Maria Magdalena/Madalena na música, mostrando as interações entre luxúria e paixão com respeito a essa personagem tão controversa.

Além dessas seções, não deixe de acompanhar os textos que, ao longo do bimestre, alimentarão as seções Comunicação, Resenhas e Nas fontes da Bíblia.

Enfim, boa leitura e, mais uma vez, os votos de toda a equipe de Ciberteologia de um produtivo e iluminado 2010 a todos!