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Edição 57 - Ano XIV - Janeiro/Abril 2018 - ISSN 1809-2888
O leigo e a política no Brasil: há esperança de dias melhores?
15/02/2018

Resumo: A presente reflexão lança a pergunta pela esperança na política no contexto histórico atual. Parte dos discursos do Papa Francisco aos movimentos populares; retira desses alguns princípios de ação concreta e conclui em sintonia com o filósofo Habermas, que é preciso ter esperança e agir como cristão na política

Algumas perguntas recorrentes nos últimos anos, sobretudo nos tempos obscuros que se instalaram no pós-golpe de 2016, são: Há caminhos para a política no Brasil? Há esperança de dias melhores na política e no trato com a coisa pública? É possível algo novo? E em meio a questionamentos, constata-se também uma angústia coletiva, que nos leva a outros tantos questionamentos, a exemplo: O que fazer? Como fazer? Quando fazer?

Pois bem, com a inquietação dos questionamentos acima e de outros tantos, façamos uma pausa, analisemos, ainda que de forma abreviada, o cenário atual, e voltemos a enfrentar as questões que nos tiram o sono!

Muitos estudiosos, em especial cientista políticos, educadores, filósofos, sociólogos e teólogos, dentre outros, vêm produzindo valiosas análises, interpretações e conclusões acerca da contemporaneidade. Seria de muita valia uma análise detalhada de várias correntes do saber, mas, nos limitando a algumas delas, destaco pronunciamentos recentes do Papa Francisco, conectando-os com as diretrizes sociais da Igreja, também conhecida como Doutrina Social da Igreja.

Disse o pontífice:

1. No discurso aos participantes do 10 Encontro Mundial dos Movimentos Populares, ocorrido no Vaticano, em 28 de outubro de 2014:

Este Encontro dos Movimentos Populares é um sinal, um grande sinal: viestes apresentar diante de Deus, da Igreja e dos povos, uma realidade que muitas vezes passa em silêncio. Os pobres não só suportam a injustiça, mas também lutam contra ela!Não se contentam com promessas ilusórias, desculpas ou álibis. Sequer estão à espera, de braços cruzados, pela ajuda de ONGs, planos assistenciais ou soluções que nunca chegam, ou que, se chegam, fazem-no de maneira a ir na direção de anestesiar ou domesticar, o que é bastante perigoso. Vós sentis que os pobres não esperam mais e querem ser protagonistas; organizam-se, estudam, trabalham, exigem e, sobretudo, praticam aquela solidariedade tão especial que existe entre os que sofrem, entre os pobres, e que a nossa civilização parece ter esquecido, ou pelo menos tem grande vontade de esquecer.

(...)

Solidariedade é uma palavra que nem sempre agrada (...). É pensar e agir em termos de comunidade, de prioridades da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. É também lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, a terra e a casa, a negociação dos direitos sociais e laborais. É fazer frente aos efeitos destruidores do império do dinheiro.

2. No discurso aos participantes do 20 Encontro Mundial dos Movimentos Populares, ocorrido em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, em 7 e 8 de julho de 2015: “Digamos sem medo: queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas”. E continua:

O capital se torna um ídolo e dirige as opções dos seres humanos quando a avidez pelo dinheiro domina todo o sistema socioeconômico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo, destrói a fraternidade inter-humana, faz lutar povo contra povo e até, como vemos, põe em risco a nossa casa comum.

 

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Data de Recebimento: 12/11/2017
Data de Aprovação: 12/11/2017

Sobre o autor
Antonio Fernandes Neto
Antonio Fernandes Neto

Formado em Ciências Contábeis (Pucc) em 1993, em Ciências Jurídicas e Sociais (Pucc) em 1998; pós-graduado (lato sensu) (Unisal) em Direito e Processo do Trabalho.

Comentários
VITOR DOS SANTOS COSTA

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31/12/1969
VITOR DOS SANTOS COSTA

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31/12/1969
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