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NOTAS

Edição 57 - Ano XIV - Janeiro/Abril 2018 - ISSN 1809-2888
Documento final da reunião pré-sinodal para o Sínodo para o Sínodo da Juventude de 2018
15/02/2018

Introdução

Os jovens de hoje encontram uma série de desafios e oportunidades externas e internas, muitas das quais são específicas de seus contextos individuais e algumas são comuns entre os continentes. À luz disso, é necessário para a Igreja examinar o modo com o qual enxerga os jovens e se compromete com eles, de modo que seja um guia eficaz, relevante e vivificante no decorrer de suas vidas.

Este documento é uma síntese para expressar alguns dos nossos pensamentos e experiências. É importante notar que essas são algumas reflexões dos jovens do século XXI provenientes de diversas religiões e contextos culturais. Neste sentido, a Igreja deve ver essas reflexões não como uma análise empírica de um tempo qualquer no passado, mas como uma expressão de onde nos encontramos, para onde nos direcionamos e como um indicador do que a Igreja deve fazer para caminhar adiante.

É importante, sobretudo, esclarecer os parâmetros deste documento. Não se trata de fazer um tratado teológico nem de estabelecer um novo ensinamento por parte da Igreja. É principalmente um documento que reflete as específicas realidades, personalidades, crenças e experiências dos jovens. Este é destinado aos padres sinodais. É destinado a direcionar os bispos a uma maior compreensão dos jovens; um instrumento de navegação para o próximo sínodo dos bispos sobre os “Jovens, a fé e o discernimento vocacional” em outubro de 2018. É importante que essas experiências sejam vistas e entendidas de acordo com os vários contextos nos quais os jovens estão inseridos.

Essas reflexões surgiram de um encontro de mais de 300 jovens representantes de todo o mundo, reunidos em Roma de 19 a 24 de março de 2018, por ocasião da Reunião Pré-sinodal dos jovens e da participação de 15.000 jovens, através dos grupos do Facebook.

Este documento é um resumo de todas as contribuições dos participantes, divididos nos 20 grupos linguísticos e outros 6 grupos através das redes sociais. Esta será uma das fontes que contribuirá com o INSTRUMENTUM LABORIS do Sínodo dos bispos 2018. A nossa esperança é que a Igreja e outras instituições possam aprender com o resultado dessa reunião e escutar a voz dos jovens.

Dito isto, podemos continuar a explorar, com disponibilidade e confiança, os contextos nos  quais o jovem está hoje, como ele se percebe em relação aos outros e como nós, como Igreja, podemos acompanhar os jovens para uma compreensão profunda de si mesmos e do lugar que ocupam no mundo.

Parte I – Desafios e oportunidades dos jovens no mundo de hoje

1) A FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE

Os jovens procuram o sentido de si mesmos em comunidades que sejam de sustento, edificantes, autênticas e acessíveis, ou seja, comunidades capazes de valorizá-los. Reconhecemos a existência de contextos que podem ajudar no desenvolvimento da própria personalidade, entre os quais a família ocupa uma posição privilegiada. Em muitas partes do mundo, o papel dos idosos e a reverência aos antepassados são fatores que contribuem com a formação da nossa identidade. Porém, isso não é um dado universalmente compartilhado, visto que os modelos da família tradicional estão em declínio em vários lugares. Isso traz sofrimento também para os jovens. Alguns se afastam das tradições familiares, esperando serem mais originais do que aquilo que consideram “parado no passado” ou “fora de moda”. Por outro lado, em alguns lugares do mundo, os jovens procuram sua identidade permanecendo apegados às suas tradições familiares, esforçando-se para serem fiéis ao modo no qual cresceram.

A Igreja, então, precisa sustentar melhor as famílias e a sua formação. Isso é significativamente importante nos países em que não há liberdade de expressão, onde aos jovens – especialmente aos menores – não é permitido participar da vida da Igreja; por isso devem ser formados na fé por suas próprias famílias, em seus lares.

O sentido de pertença é um fator significativo na formação da própria identidade. A exclusão social é um fator que contribui para a perda da autoestima e da identidade, frequente em muitos jovens. No Oriente Médio, muitos jovens se sentem obrigados a se converterem a outras religiões para serem aceitos pelos seus coetâneos e pela cultura dominante que os circunda. Isso é sentido também em comunidades de imigrantes na Europa, que, além disso, sofrem o peso da exclusão social e do abandono de sua identidade cultural para assemelharem-se à cultura dominante. Este é um campo no qual a Igreja precisa projetar e fornecer espaços de cura para nossas famílias em resposta a esses problemas, mostrando que existe espaço para todos.

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Equipe Editorial Ciberteologia
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Editorial
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