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RESENHAS

Edição 58 - Ano XIV - Maio/Dezembro 2018 - ISSN 1809-2888
Breve Curso de Doutrina Social
15/12/2018

Bartolomeu Sorge, sj italiano, diretor emérito da La civiltá Cattolica, nos brinda com seu breve curso de doutrina social. Considerado um dos maiores especialistas, em nível internacional, da Doutrina Social da Igreja (DSI), nos apresenta alguns temas importantes da atualidade, e os ilumina com os ensinamentos sociais do magistério eclesial. Assim, em apenas dez capítulos, o autor nos faz ter uma visão geral do que é a Doutrina Social da Igreja.

A obra se divide em quatro partes: I. Origem e desenvolvimento; II. Princípios de reflexão; III. Critérios de julgamento; IV. Orientações de ação. Também há um apêndice onde Sorge fala sobre o caminho que a Igreja na Itália traçou desde Concílio Vaticano II até nossos dias. Os editores responsáveis (ed. Paulinas), também pensaram em um segundo apêndice, mostrando a relação da DSI no contexto latinoamericano, a partir do Vaticano II. Este apêndice foi escrito pelo professor Élio Estanislau Gasda.

Então, na primeira parte, o autor nos apresenta o desenvolvimento da DSI em cinco fases: 1. Fase da “ideologia católica”; 2. Fase da “nova cristandade”; 3. Fase do “diálogo”; 4. Fase de um novo “humanismo global”; 5. A “revolução” do papa Francisco. De forma suscinta, coerente e crítica, o autor nos faz perceber como o magistério eclesial, desde a Rerum Novarum (1891) de Leão XIII, até os ensinamentos do papa Francisco vem pensando a questão social. Pertinente é sua observação em realação ao método usado na elaboração da DSI que mudou com o passar do tempo: com João XXIII e Paulo VI, passa-se do método dedutivo para o indutivo (inaugurado com a Mater et Magistra – 1961 – de João XXIII, caracterizado pelos três momentos: VER, JULGAR E AGIR). Este é o tempo da fase do diálogo. Entretanto, apesar de toda contribuição que João Paulo II e Bento XVI deram a DSI, estes voltaram ao método dedutivo, retrocedendo o caminho inaugurado pela Mater et Magistra. Porém, o papa Francisco, com sua insistência em voltar ao Evangelho, de ser Igreja em saída, faz um retorno atualizado ao Concílio Vaticano II e retoma o método indutivo de ver, julgar e agir. Daí porque Sorge chama esta fase atual de revolução.

Depois deste panorama bem geral, nos é apresentado, na segunda parte, príncipios de reflexão, de natureza religiosa, ética e cultural através dos quais a DSI oferece fundamentos para o diálogo solidário, e para a construção de novas estruturas de relação entre os povos de diversas culturas, que vivem neste processo de unificação. Estes princípios de reflexão são: o princípio do personalismo (a dignidade da pessoa humana é o princípio fundamental de toda a vida social); o princípio de solidariedade ( que é uma luz diante da crise atual, principalmente econômica, pois incita à promoção de uma cultura da solidariedade) e o princípio do bem comum (aqui a DSI deve contribuir para a refundação deste princípio, através da promoção de um humanismo transcendente que combata a visão puramente empírica e cética da vida).

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Data de Recebimento: 10/12/2018
Data de Aprovação: 12/12/2018

Sobre o autor
Ronaldo A. Oliveira
Ronaldo A. Oliveira

Religioso verbita. Licenciado em Filosofia. Bacharelando em Teologia pelo ITESP.

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